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terça-feira, 31 de março de 2009

Roteiro Caminho da Vila Velha

Com a escolha do lugar para a construção de Salvador, a primitiva Vila do Pereira, no Porto da Barra, foi perdendo pouco a pouco sua importância.
Mas o Caminho da Vila Velha nunca deixou de ser relevante, especialmente para os pescadores e comerciantes que a utilizavam. A antiga trilha entre o local bom para pescar na praia do Porto da Barra e as fortificadas Portas de Santa Catarina, (atual Praça Castro Alves) é hoje tomada pela avenida Sete de Setembro e seus cinco quilômetros de extensão.
Aberta no inicio do século XX, a avenida uniu várias ruas estreitas de largura padronizada e foi responsável pela derrubada de uma igreja e várias fachadas de prédios civis do poder público. Mesmo assim, ela serviu como vetor de expansão promovida pela colônia inglesa no final do século XIX. Paralelamente a isso, começava a mudar o conceito de moradia em Salvador e a população já procurava novos espaços abertos para construir suas casas. Os ingleses ergueram, então, belas mansões no Corredor da Vitória e projetaram a praça do Campo Grande – além do corredor e do Campo Grande, esta área turística inclui a Praça da Piedade, o Largo de São Pedro, o Largo de São Bento e a Praça Castro Alves, onde ficavam as Portas de Santa Luzia no lado sul da muralha que cercava a cidade nos séculos XVI e XVII.



A Vila Velha, conhecida também como a Vila do Porto da Barra ou Vila do Pereira – uma alusão ao primeiro donatário da Capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho -, surgiu no início do século XVI como um pequeno comércio próximo à única praia com condições naturais para a aproximação de embarcações no espaço da cidade. No Porto da Barra, desembarcaram o capitão Francisco Pereira Coutinho, em 1535, e o fundador de Salvador, Tomé de Souza, em 1549.
A pequena enseada também recebeu os soldados da Companhia das Índias Ocidentais na invasão de 1624, que seguiram pela trilha até a cidade então limitada entre a atual Praça Castro Alves e o Terreiro de Jesus. Fazem parte desta área monumentos como o Forte de Santa Maria, o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra.

Porto da Barra – Com quase todo o litoral cercado por recifes, a cidade tem no Porto da Barra o único lugar onde é possível o desembarque de pequenas embarcações em segurança. Em forma de uma pequena enseada, o porto foi o lugar escolhido pelo donatário Francisco Pereira Coutinho para fundar a Vila da Capitania da Bahia. A Vila do Pereira, como ficou conhecida, recebia as naus que faziam comércio com os nativos comandados por Diogo Álvares “Caramuru”, na primeira metade do século XVI. Aí também foi o local onde desembarcaram o primeiro Governador-Geral Tomé de Souza, em 1549, e os soldados da Companhia das Índias Ocidentais, os quais invadiram a cidade em 1624. Um marco comemorativo, construído em 1949. Destaca o ligar da chegada de Tomé de Souza.

Forte de Santa Maria – Construído para guarnecer o Porto da Barra contra invasores, cruzando fogos com o Forte de São Diogo, esta fortaleza já existia quando a Companhia das Índias Ocidentais tentou ocupar Salvador pela segunda vez, em 1638. Forte sob invocação feminina em Salvador, tem forma de sete lados, quatro ângulos salientes e três reentrantes, e data do final do século XVIII.

Forte de São Diogo – Cruzando fogos com o Forte de Santa Maria e também com a função de impedir o desembarque de invasores no único porto natural da cidade, a fortificação já existia quando os holandeses invadiram Salvador pela segunda vez. Encravado na base do Outeiro de Santo Antônio, apresenta diariamente um vídeo sobre o Sistema Colonial da Cidade do Salvador e, ao meio-dia, dispara um tiro de canhão como ocorria antigamente.

Igreja de Santo Antônio da Barra – Situada sobre uma colina e com magnifica vista que abrange a Barra e a Baía de Todos os Santos, o templo foi construído entre 1595 e 1600. Sua fachada apresenta um alto frontão clássico de forma triangular e tem duas torres terminadas em pirâmide, revestidas por azulejos.

Igreja de Nossa Senhora da Vitória – Disputa com a Igreja de Nossa Senhora da Graça o título de a primeira construída em Salvador. Foi reedificada em 1666, com fachada voltada para o mar, e totalmente reformada em 1809, quando ocorreu uma inversão nas posições do altar e da entrada do templo. Em 1910, a fachada ganhou a atual decoração.

Corredor da Vitória – Esta bela avenida arborizada era ocupada por belas mansões da sociedade britânica no século XIX – as quais, pouco a pouco, foram substituídas por luxuosos edifícios residenciais a partir de meados do século XX. O Corredor da Vitória, que começa no largo da Igreja de Nossa Senhora da Vitória, possui alguns dos mais importantes museus de Salvador, como o Carlos Costa Pinto e o de Arte da Bahia, de Arte Decorativa e o Museu Geológico.

Museu Carlos Costa Pinto – Seu acervo foi, pacientemente, reunido pelo colecionador baiano Carlos Costa Pinto, na primeira metade do século XX, com aquisições de bens tradicionais de bens de tradicionais famílias da cidade. Os objetos do museu contam aspectos da vida social baiana nos séculos XVII, XIX e XX. A coleção de pratarias é considerada a maior do Brasil. O Museu localiza-se na mansão da família Costa Pinto, que o colecionador não chegou a ver concluída.

Museu de Arte da Bahia – Instalado numa mansão de um grande negociante de escravos do século XIX, o Museu de Arte da Bahia reúne em seu acervo coleções de objetos adquiridos em leilões ou compradas diretamente de espólios de tradicionais famílias baianas. Nele, destacam-se a porta em madeira original de um casarão do Centro Histórico, os painéis de azulejos importados da Europa e a pinacoteca, com obras de mestres da pintura baiana.

Museu Geológico – Este museu é um verdadeiro centro de estudos da geologia do território baiano e apresenta exemplares de rochas minerais e pedras preciosas.

Campo Grande – Esta área foi desmatada no século XVII e nivelada no século XVIII para treinamento militar dos soldados do Forte de São Pedro. Oficialmente chamada de Praça Dois de Julho, o Campo Grande transformou-se num jardim em 1851 e ganhou, no final do século XIX, um monumento central em homenagem à Guerra da Independência da Bahia – o dia 2 de Julho, aliás, é a maior data cívica da Bahia, sendo comemorada com desfiles militares e de entidades educacionais. No Campo Grande, destacam-se, ainda, os edifícios Casa do Arcebispo, de inspiração inglesa do século XIX, o Grande Hotel a Bahia, de meados do século XX e recuperado há poucos anos. Mais adiante esta o Forte de São Pedro, um baluarte da defesa por terra da cidade dos inimigos que desembarcassem no Porto da Barra.








Casa do Arcebispo – A residência de um próspero negociante do século XIX foi adquirida pela Arquidiocese de Salvador para ser a residência do arcebispo primaz do Brasil.

Grande Hotel da Bahia – Erguido em meados do século XX, foi o primeiro grande hotel com concepção moderna da cidade, estando em funcionamento até os dias de hoje.

Teatro Castro Alves – Um dos mais modernos teatros do País, foi construído em 1958 e sofreu um incêndio dias antes de sua inauguração. Sua recuperação foi concluída em 1967; vinte e nove anos depois, o teatro passou por uma reforma completa e ganhou os mais modernos equipamentos cênicos.

Forte de São Pedro – Levantado no início do século XVII no ligar escolhido pelos holandeses para a implantação de uma fortificação, este edifício militar tem forma de polígono quadrangular e possui baluartes nos quatro ângulos desenvolvidos segundo os princípios de Vauban. Tomado pelos brasileiros na Guerra da Independência, em 1822, o forte serviu como quartel general da Revolta da Sabinada, entre 1837 e 1838.

Praça da Piedade – O terreno situado em frente a Igreja de Nossa Senhora da Piedade teve muitos uso desde o século XVIII, quando o templo foi construído. Lugar de manobras militares e de execução de condenados políticos – entre eles as quatro mártires da Inconfidência Baiana, em 1799 -, o Largo da Piedade foi transformado em jardim no final do século XIX e reconstruído cem anos depois em homenagem aos mártires inconfidentes. Na praça, merecem destaque construções como o antigo Palácio do Senado da Província da Bahia , a sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Gabinete Português de Leitura, inspirado no estilo manuelino, a Igreja de São Pedro e o gradil da praça, criado pelo artista plástico Caribé.

Largo do Relógio de São Pedro – A área foi ocupada até o início do século XX pela antiga Igreja de São Pedro, demolida para a abertura da avenida Sete de Setembro em 1912. O Relógio de São Pedro, importado da França, é uma referencia de horário para os que passam pelo local.

Largo de São Bento – No lugar escolhido pelos monges beneditinos que chegaram com Tomé de Souza em 1549, foram erguidos a Igreja de São Sebastião e o Mosteiro de São Bento.

Igreja de São Sebastião e o Mosteiro de São Bento – Este conjunto religioso, um dos mais imponentes da cidade – cujo terreno foi herança deixada pela família de Diogo e Catarina Álvares, o primeiro casal brasileiro, para a Ordem Beneditina -, foi iniciado em 1589 e ainda se encontra inacabado. O mosteiro, em três pavimentos ao redor de um pátio, abriga uma biblioteca com 35 mil volumes e um museu com objetos de ordem.

Praça Castro Alves – A área surgiu do aterro de um grande charco que cercava a cidade e foi erguida pelo fundador Tomé de Souza. Serviu como praça do pelourinho, onde eram castigados os que infringiam a Lei Municipal. No seu centro, localizavam-se as Portas de Santa Luzia, que faziam parte da primeira muralha da cidade. O nome Castro Alves foi dado à praça no início do século XX em homenagem ao “Poeta dos Escravos”, que declamou seus versos no Teatro São João que aí existia. No monumento que ocupa a parte central da praça está a estátua de Castro Alves e uma urna com os seus restos mortais.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Av. Sete / Carlos Gomes

"Quando um morador tradicional de Salvador diz que vai à Avenida Sete podemos ter a certeza de que ele está se referindo ao trecho desta avenida que vai do Campo Grande à Praça Castro Alves.
Afinal de contas os outros trechos são mais conhecidos por outros nomes como Corredor da Vitória ou Ladeira da Barra.
A Avenida Sete (de Setembro) foi durante muitos anos a principal via de Salvador que ligava a antiga Vila do Pereira ao Centro Histórico.
Foi também o principal centro comercial da cidade, tendo entrado em decadência após o surgimento dos grandes shopping centers.
Ainda hoje é possível observar no horário comercial um fluxo intenso de transeuntes que circulam por entre lojas, ou simplesmente querendo chegar a uma das localidades adjacentes como o Politeama, as Mercês ou São Pedro.
Paralela à Avenida Sete fica a Rua Carlos Gomes cujo tráfego de veículos se dá em sentido inverso à primeira.
As duas se encontram na Praça Castro Alves formando a esquina do Edifício Sulacap. A história desta avenida se confunde com a história de Salvador e com as suas personagens, do passado e do presente, que circularam por suas calçadas".
Cid Teixeira

Depoimentos
“...Ora, amigos, a cidade não se expandiu muito mais do que isso. Mas, há um fato urbano que há de ser ressaltado desde aí, o Caminho do Conselho.
O Caminho do Conselho que era a ligação entre a cidade nova que nascia e a velha Vila do Pereira que estava lá, no Porto da Barra.
Este Caminho do Conselho que é hoje a Avenida Sete de Setembro, só que evidentemente com todas as modificações, com todas as alterações, com todas as distorções positivas e negativas acontecidas ao longo de quatro séculos.
Para começo de conversa, vejamos o seguinte: subia-se a ladeira de São Bento e encontrava-se o mosteiro, que os padres vieram um pouquinho depois da chegada de Tomé de Souza, e daí, numa cumeada só, sem maiores percalços, você vai andando pelo atual traçado da Avenida Sete de Setembro, até que nós chegamos na altura aproximada do que é hoje o edifício Fundação Politécnica, o Largo de São Pedro, aproximadamente.
Ali começa a ficar mais larga a cumeada e começa a surgir umas pequenas ruas laterais, o Areal de Baixo, o Areal de Cima, bem mais tarde – eu estou agora a dar um salto na cronologia – a casa do Sodré, que acabou deixando o seu nome para a rua; e assim nós vamos caminhando pelo Caminho do Conselho.
Mas o grande momento das alterações está no Campo Grande.
Meus amigos observem uma coisa, ninguém faria um forte cuja porta principal batesse de cara com uma muralha; ninguém faria um forte e o grade da rua junto do forte ser mais alto do que esse mesmo forte.
Então, não se pode julgar o forte de São Pedro pelo que está lá hoje; considere-se que ele estava disponível a céu aberto, não havia o que você chama hoje de Passeio Público, com aquela grade, naquela altura. De tal sorte que entre o forte de São Pedro e o forte de São Paulo da Gamboa, havia uma interação natural que ao tempo se foi modificando.
Observe que há um viaduto, um viaduto de ferro ali atrás que não tem nada a ver com o que Tomé de Souza viu.
Eu desconfio que se Tomé de Souza saltasse aqui hoje, não ia reconhecer muito o sitio, o que é ótimo, porque é prova do progresso nosso.
E aí vamos chegar ao Campo Grande, onde aconteceram as coisas mais espantosas que se possa querer em matéria de urbanismo.
Em primeiro lugar, uma invasão de colarinho branco, a primeira de que nós temos notícia.
Todo aquele correio de casas que está entre o atual hotel da Bahia até a rua do forte de São Pedro, assim chamada, tomando a face do forte que era disponível para o Campo Grande de São Pedro.
Por outro lado, as modificações do próprio forte de São Pedro, da rua do forte de São Pedro.
Observem vocês, passando por ali, que todas as casas do forte de São Pedro, desde o teatro Castro Alves até o Politeama, tem um primeiro, segundo, terceiro, às vezes quarto subsolo; há umas escadinhas descendo por ali, meus amigos urbanistas devem estar bem lembrados delas...”
www.cidteixeira.com.br

Monumento 2 de Julho

Autor: Comendador Carlo Nicol
Época: 02 de julho de 1895 (inauguração)
Origem: Carrara - Itália
Localização: Avenida 7 de Setembro - Largo do Campo Grande

Dados Técnicos:
Material: Bronze e Pedestal em Mármore de Carrara
Técnica: Fundição e Placas de Mármore de Carrara
Dimensões: Altura = 25,86m








O majestoso Monumento, erigido em homenagem à independência da Bahia, localiza-se no Largo do Campo Grande e tem como símbolo principal "O Caboclo", que representa um ato de afirmação de identidade, nacionalidade e liberdade.
Compõe o Monumento um pedestal de mármore de Carrara, formado por dois corpos e escadarias do mesmo material. Assentado sobre o pedestal, ergue-se uma elegante coluna de bronze, da ordem corinthya, encimada garbosamente pela figura de um índio armado de arco e flecha, simbolizando o Brasil.
Medindo exatos vinte e cinco metros e oitenta e seis centímetros, o Monumento ostenta alegorias, símbolos e quadros que representam batalhas campais, nomes dos heróis que trabalharam em prol de nossa emancipação, os principais rios da Bahia: "o São Francisco" e "o Paraguaçu" - " a Cachoeira de Paulo Afonso" e outras tantas representações.
O Monumento possui, em seu perímetro, um passeio de mármore de Carrara formado por mosaicos em variadas cores, fechado por um gradil de ferro fundido, onde figuram, em baixo relevo, as armas da República e da Cidade.
Um segundo passeio, com orla de cantaria e mosaicos em mármore preto, cinza e branco circula o anterior, onde foram montados oito bem trabalhados candelabros em ferro fundido, com sete metros de altura, encimados por quatro grandes globos redondos.



Referência Histórica:O monumento comemora a entrada do exército pacificador em Salvador em 2 de julho de 1823.
Foi levantado por uma comissão com auxílio do Governo do Estado da Bahia e da Câmara Municipal de Salvador.
O engenheiro Alexandre Freire Maia Bittencourt responsável pela obra publicou e distribuiu no dia da inauguração um folheto descritivo do monumento que dizia:
Compõe-se o referido monumento “de elegante coluna de bronze, da ordem Corynthia, com onze metros e quarenta e seis centímetros, assentada sobre pedestal de mármore de Carrara, composto de dois corpos, sobre posto um ao outro, tendo o superior de altura três metros e quarenta centímetros, e o inferior quatro metros e dois centímetros, o qual se apóia em um plano onde partem para os quatro lados escadarias do mesmo mármore, formadas de sete degraus com trinta centímetro de altura e cinqüenta de passo, cada um.
Em cima da coluna, ostenta-se, garbosamente a figura de um índio, com 4 metros e 11 centímetros de altura, armado de arco e flecha, simbolizando o Brasil, na altitude de desferir tremendos golpes sobre a serpente, aludida ao governo da Metrópole, a qual procura esmagar debaixo dos pés.

O capitel da coluna é constituído de folhagens de carvalho e louro com ornatos alegórico, tudo de bronze dourado, com um metro e sessenta e cinco centímetros.
O fuste e a base da coluna medem 9 metros e 80 centímetros, tendo o primeiro terço inferior octogonal, em que se destacam quatro grinaldas, de louro de carvalho, douradas e suspensas por botões metálicos, com inscrições para lembrar aos nossos posteros, as seguintes datas:
Na frente:
Entrada das tropas libertadoras, 2 de Julho de 1823.
No fundo:Reuniões das côrtes, 26 de Agosto de 1821.
Ao lado direito:Batalha contra a frota luzitana, 4 de Maio de 1823.
Ao lado esquerdo:Organização da Junta na Cachoeira, 26 de Junho de 1822.

Os dois terços da coluna são estriados, tendo de espaço em espaço, faixas, nos quais estão burilados os nomes daqueles que, com tanto e tamanho heroísmo, bravura e abnegação souberam trabalhar em prol da nossa emancipação, como fossem:
Borges de Barros, Lino Coutinho, Cypriano Barata, Gomes Ferrão Pedro Bandeira, Montezuma, Visconde de Pirajá, Carneiro de Campos, Garcia Pacheco, Rodrigo Brandão, Siqueira Bulcão, Pereira Rebouças, Brigadeiro Manoel Pedro, General Pedro Labatut, Tenente Coronel Souza Lima, Coronel Lima e Silva, Major Silva Castro, Coronel Luiz Lopes, Tenente José Pinheiro de Lemos, Tenente Jacome Dorea, Tenente Silva Lisboa, Capitão Cypriano Siqueira e Almirante Cochrane.

Entre essa parte da coluna e o capitel notam-se festões dourados.
O pedestal superior de mármore, em forma quadrangular, tem, no meio da face da frente, as armas da República e sobre elas o lema da democracia:
Liberdade, igualdade e fraternidade,Na face oposta, as armas ou divisa da cidade, com a inscrição apropriada:
Sic illa ad arcam reversa estDo lado direito, encostada ao pedestal, figura no (...) a estátua de uma mulher de colo ereto envolvida numa bandeira empunhada com vigor, que representa a Bahia, proclamando a sua liberdade.
Do lado oposto, uma estátua com cabelos soltos, coroa de louro e braços de mulher varonil, figura Catharina Paraguassú, tendo em uma das mãos uma arma em posição defesa e na outra um escudo, em que está gravado, com letras de ouro, aquelas memoráveis palavras pronunciadas nas margens de Ypiranga: Independência ou morte.



O pedestal inferior, ainda de forma quadrangular, e em maiores proporções, tem, es escudos de bronze e letras douradas, épocas que rememoram glórias para a primogênita do Brasil:

Chegada de Cabral a Porto Seguro, 22 de Abril de 1500
Fundação da Bahia, 6 de Agosto de 1549
Proclamação da Independência, 7 de Setembro de 1822
Entrada do Exército Libertador, 2 de Julho de 1823

Sobre essas colunas elevam-se troféus de armas e objetos indígenas, artisticamente combinados.
Nas almofadas da frente e fundo desse pedestal, existem quadros de bronze, em relevo, onde o artista, com perícia e arte, soube mostrar os atos de heroísmo praticados pelos itaparicanos na tomada da barca lusitana em 7 de janeiro de 1823 e, noutro, o denoto dos cachoeiranos em 25 de junho de 1822; figurando aqui, uma barca no rio Paraguassú, que é invadida por pessoas armadas de pedras e cacetes, que se apoderam da mesma; e ali, outra barca defronte do forte de São Lourenço, em Itaparica, para onde sobrem muitos abordantes, compostos de soldados e gente do povo.
Nas outras duas almofadas, lêem-se inscrições, a primeira das quais é como se segue:
Anno 1895
Aos heróes da Independência
A Pátria agradecida

No plano de que se partem as escadarias, observam-se, em socos de 0,m30 de alto na frente e no fundo, grandes águias com asas abertas, pousando esta sobre canhões, âncora, estandarte da Metrópole, com um escudo circulando de uma grinalda de folhas de café, com a data de 25 de junho de 1822, e aquela sobra a proa de uma barca em destroços, mastros, leme, cabos, machadinhas, etc, com a data de 7 de janeiro de 1823 escrita numa fita ornamentada de ramo de café, corresponde a elas os quadros acima descritos.



Fonte:
Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, nº. 59, 1933.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Campo Grande

O Largo do Campo Grande, também conhecido como Praça Dois de Julho, foi durante boa parte do século XIX um grande pasto para os animais.
Construído em 1850 pelo desembargador e conselheiro Francisco Gonçalves Martins, presidente da Província da Bahia, foi também conhecido como Campo de São Pedro por influência da ermida que existiu nas suas proximidades e que, derrubada, deu lugar ao Forte de São Pedro, nesta época o campo servia para treinamento dos oficiais do forte.
Em 2 de julho de 1895, então já completamente urbanizado por influência da colônia inglesa que se instalara nas suas imediações, implantou-se ali o monumento aos heróis da independência - conhecido popularmente como monumento ao caboclo - que ocupa o centro desta que é a principal Praça de Salvador.
Recentemente o Campo Grande sofreu uma grande reforma, ganhando um belíssimo gradil com desenhos do artista plástico Caribé.
O Teatro Castro Alves, o principal teatro da cidade, está localizado numa das suas laterais.
O Campo Grande viu nascer e morrer o Clube Cruz Vermelha, assim como também viu a residência oficial dos Cardeais ser incorporada a um prédio de luxo, e foi palco de inúmeras manifestações populares
O Campo Grande assistiu, também, ao nascimento da maior festa popular do planeta, o Carnaval Baiano.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Teatros de Salvador

Teatro Castro Alves - Campo Grande (71) 3339-8014

Sala do Coro (TCA) - Campo Grande (71) 3339-8033
Concha Acústica (TCA) - Campo Grande (71) 3339-8018
Cine-Teatro Sesc - Pituba (71) 3273-8731
Teatro ACBEU - Corredor da Vitória (71) 3444-4423
Teatro da Barra - Barra (71) 3264-4163
Teatro Caballeros de Santiago - Rio Vermelho (71) 3334-0241
Teatro Dias Gomes - Nazaré (71) 3322-5522
Teatro Diplomata - Patamares (71) 3367-8882
Teatro Gamboa Nova - Gamboa (71) 3329-2418
Teatro Gregório de Matos - Centro (71) 3322-2646
Teatro do IRDEB - Federação (71) 3116-7436
Teatro ISBA - Ondina (71) 4009-7089
Teatro Jorge Amado - Pituba (71) 3355-8620
Teatro do Movimento - Ondina (71) 3245-6412
Teatro Martim Gonçalves - Canela (71) 3283-7851/7850
Teatro Miguel Santana - Pelourinho (71) 3322-1962
Teatro Módulo - Pituba (71) 3351-1105
Teatro Mollière - Ladeira da Barra (71) 3336-7599/5259
Teatro Salesiano - Largo de Nazaré (71) 3327-0166
Teatro SESI do Rio Vermelho - Rio Vermelho (71) 3334-0668
Teatro SESC/SENAC - Pelourinho (71) 3324-4520
Café-Teatro Sitorne - Rio Vermelho (71) 3347-7089
Teatro Vila Velha - Campo Grande (71) 3083-4600
Teatro XVIII - Pelourinho (71) 3322-0018
Teatro Gil Santana - Rio Vermelho (71) 3489-2917

Teatro Castro Alves

Fruto das ideias desenvolvimentistas do Governador Antônio Balbino, a história do Teatro Castro Alves, que homenageia o "Poeta dos Escravos", possui momentos de grandes espetáculos e tragédias, como os dois incêndios que motivaram sua reforma.
O primeiro deles ocorreu antes mesmo de sua inauguração. Era a madrugada do dia 9 de julho de 1958 - cinco dias antes da abertura ao público - e a versão apurada oficialmente foi de que um curto-circuito havia destruído aquele que deveria ser o mais novo espaço cultural de uma cidade que jazia estagnada economicamente - o chamado Enigma Baiano que se estendia desde o início do século e nos anos 50 preocupava estudiosos e economistas.
Seu projeto original foi feito pelos arquitetos Alcides da Rocha Miranda e José de Souza Reis, em 1948; porém o edifício construído foi aquele desenvolvido por José Bina Fonyat Filho e o engenheiro Humberto Lemos Lopes, sendo ganhador da IV Bienal de São Paulo com suas linhas e conceitos modernistas e chocando a sociedade Baiana de então, avessa a novidades,com sua grandiosidade que incomodava os políticos em disputa pelo poder local.
As obras foram executadas pela então Secretaria de Viação e Obras Públicas, que na época chegou a publicar o livreto intitulado "A verdade sobre o Teatro Castro Alves" mostrando desde o projeto de lei do então deputado estadual Antônio Balbino em 2 de junho de 1948, fotos e imagens do projeto, entrevista com especialistas e buscando justificar a realização desse projeto ao invés do idealizado por Rocha Miranda e Souza Reis.
Balbino, que introduzira no governo do Estado uma mentalidade de planejamento e fomento econômico, enfrentava sem sucesso as forças conservadoras: Quando pronto a edificação que não possuía os Pilares em V sofreu um misterioso incêndio, depois disso a edificação passou a ter os benditos pilares.
Seu aparente fracasso fez com que as obras de recuperação, reiniciadas ainda em seu mandato, fossem abandonadas por Juracy Magalhães - seu opositor.
Situado na principal praça da capital - o Campo Grande - onde um belo monumento erguido pelo governador Rodrigues Lima evoca as lutas gloriosas da Independência da Bahia, o teatro foi praticamente reconstruído pelo governo Lomanto Júnior - recebendo entretanto, por parte da elite local já avessa ao ativismo cultural, grande ojeriza, que somente o tempo foi capaz de vencer.
Foi inaugurado, com a presença, além do próprio governador, do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, a 4 de março de 1967.