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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Bairro Liberdade

A Liberdade está situado na parte da cidade alta de Salvador, ocupando uma área de aproximadamente 190 hectares.
Possui um plano inclinado que serve como ligação entre as cidades alta e baixa.
Abrange as localidades conhecidas como Soledade, Lapinha, Sieiro, Japão, Duque de Caxias, Curuzu, Cravinas, Bairro Guarani, Alegria, Jd São Cristovão, São Lourenço e parte do Largo do Tanque e da Baixa do Fiscal.

HistóricoNo início do século XX, graças ao crescimento da cidade do Salvador estimulado pelo êxodo da população rural que fugia da seca que atingia o interior do estado, o bairro da Liberdade plantou as suas bases.
Por volta do ano de 1930 , já existia quatro chácaras, localizadas no Curuzu, que tomavam a maior parte da área do bairro.
Podia-se ver uma grande extensão de vegetação florestal, composta de árvores como mangueiras, jaqueiras, que caracterizavam a região não muito povoada.

Com o passar dos anos, as chácaras foram sendo loteadas e vendidas,o que proporcionou o aumento da população.
A proximidade com o centro comercial e financeiro de Salvador, na época, a Rua Chile e o Comércio, facilitando o acesso ao trabalho, foi um dos principais fatores para que as pessoas se instalassem.
Sua ocupação se deu, a partir daí, de forma desordenada, e o bairro cresceu às custas de invasões, favelização e posterior urbanização das moradias.
Por conta disto, em vários pontos do bairro ainda encontra carência em termos de condições sanitárias e de infra-estrutura.
A Liberdade tem ainda uma forte influência da cultura negra, que constitui o grande apelo turístico da Liberdade .
A presença de blocos Afros, como o Ilê Aiyê, Muzenza, Vulcão da Liberdade é um dos convites aos turistas.
Há ainda a Festa de Reis da Lapinha, que é comemorada sempre nos dias 5 e 6 de janeiro.
O bairro era chamado de Estrada da Liberdade, pois foi por sua via principal que passaram os heróis da Independência da Bahia, sendo que até hoje em dia o cortejo atravessa suas ruas. Existem várias igrejas, terreiros de umbanda e candomblé, centros espíritas e templos protestantes, o que evidencia a multiplicidade cultural da população do bairro.

PopulaçãoA Liberdade tem uma das maiores densidades populacionais de Salvador. Até o ano de 1990 (dados do censo de 91), a área possuía aproximadamente 130.000 moradores, algo em torno de 5% da população do município.
Caracteristicamente, possui grande concentração da parcela negra da população soteropolitana, pertencentes de forma geral a faixa de baixa renda do município.
Atualmente o bairro é considerado uma "cidade" dentro da cidade de Salvador.

História da negritude no Bairro da Liberdade?

"Recentíssimo. Eu que estou falando aqui, sou do tempo em que a Liberdade eram quatro ou cinco roças, roças com bois e vacas e essas coisas.
Essa concentração de pobreza e negritude na liberdade é coisa de quarenta ou cinqüenta anos para cá, não é muito antiga, não.
Outros bairros se embranqueceram, por exemplo, um bairro onde só tinha negro mesmo, que era o Caxundé; hoje ninguém mais sabe nem onde é o Caxundé quanto mais falar em negro lá dentro.
Corresponde hoje ao Jardim de Alá, ali, na Pituba.
O trator chegou, urbanizou tudo, fez casinhas bonitinhas e acabou com a negritude de lá.
A Liberdade não tem essa história negra, não; eram roças.
Seu Chico Mãozinha era dono de tudo o que é hoje, Corta braço, Pero Vaz era a roça dele e eu conheci, eu estive lá, na roça dele, eu que estou aqui; portanto, não é coisa do século XVII, não. Eu vi, andei lá, como andei na Pituba com medo das vacas, com medo dos bois correndo atrás da gente".
Cid Teixeira

terça-feira, 20 de maio de 2008

Origem nomes dos Bairros

Barbalho
O bairro está localizado em terras que pertenceram a Luiz Barbalho Bezerra, de onde lhe vem o batismo.

Barris
Tomou esse nome pelo fato de existir no atual bairro uma fonte de ótima água potável localizada próxima ao dique, onde os aguadeiros se abasteciam para atender à população.
Essa fonte era protegida por barris, sendo a água ali apanhada e transportada também em barris, em lombo de animais.

Bonfim
Recebe esse batismo devido a existência da conhecida Igreja do Bonfim, que se localiza no bairro de mesmo nome.

Brotas
O nome do bairro, como ocorre em incontáveis outros batismos populares de logradouros na Bahia, vem da corruptela popular de uma palavra: no caso Brotas por Grotas.

Carmo

Batismo extenso e curioso, mas que dá uma idéia exata do crescimento da cidade para além das Portas do Carmo, que ficavam na altura do Largo do Pelourinho, sendo conhecidas anteriormente como Portas de Santa Catarina.

Fazenda Garcia
Recebe esse batismo devido a presença, antigamente, da fazenda do Conde Garcia D’Ávila.
De fazenda, hoje, o Garcia só guarda o nome.

Itapagipe
De origem indígena, significa rio da taba ou aldeia (taba-gy-pe).

Itapuã
De origem indígena, significa pedra que ronca. Tem esse nome por lá existir uma pedra que, antes de se partir, roncava na maré vazante.
Cantado em prosa e verso por Dorival Caymmi e depois por Vinícius de Moraes, este bairro tem nomes poéticos em muitas das suas ruas (Amanhecer, Brisa, Irmão Sol).

Piatã
De origem tupi, significa o persistente, o obstinado.
Boa parte da praia entre Amaralina e Itapuã era conhecida como São Tomé, nome que vinha dos tempos da colônia. Foi ali que Hebert Rocha Vaz instalou a sua fábrica de óleo de baleia.




Pirajá
Braço estreito de mar ao norte da península Itapagipana, que se estende pela terra adentro com águas tranquilas entre mangues, à sombra de montes empinados, significa do tupi (pira-ya) capa de peixe, lugar farto de peixe para o sustento dos pescadores.

Pituaçu
De origem indígena, significa pitu grande.

Pituba
De origem indígena, significa bafo, exalação, maresia.

Ribeira
Primitivamente a Ribeira, expressão portuguesa que quer dizer ancoradouro para a reparação de naus, era uma colônia de pescadores e lugar de veraneio.
Por ser esse um local de difícil acesso, demorou muito para ser habitado.



Tororó
É corruptela da palavra (itororó)de origem tupi, que significa: o jorro, o enxurro, a enxurrada.







Calçada
Em 1638 o caminho para o Bonfim era pela praia e por Mont Serrat, só mais tarde se construiu, através dos mangues, o atual caminho de Roma, até lá por meio de aterros e calçamento, de onde o nome Calçada do Bonfim, que se estendeu a toda rua atual da Jequitaia.

Liberdade
Foi pela estrada das boiadas que o exército nacional adentrou Salvador, no dia 2 de julho de 1823, proclamando a independência da Bahia, que consolidou o fim do Domínio português no Brasil.
Com isso o bairro passou a ser chamado de Liberdade.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Bairro do Comércio

PENÍNSULA E COMÉRCIO

A Cidade Alta e a Cidade Baixa são separadas pela chamada falha geológica de Salvador, um afundamento de uma faixa de terra de 100 quilômetros na direção norte-sul que aconteceu há milhares de anos.
Esta característica topográfica somada a posição geográfica da Baia de Todos os Santos foi decisiva para escolher o lugar de fundação da capital em meados do século XVI.
Sobre a escarpa de 70 metros, protegida contra ataques pelo mar, estava a cidade fortificada cercada de muros; embaixo, ficava o principal porto do comércio marítimo da costa brasileira.
Em meados do séc. XVI, a mando do 1º Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, começa a construção da Cidade Baixa, inicialmente, como porto marítimo.
Esta área guarda boa parte da história da Cidade de Salvador, servindo até os dias atuais como um potencial porto.
A primeira área construída foi a chamada hoje de Conceição da Praia e, como esta estava sendo de grande importância econômica para a cidade, foi construído à sua frente, sobre um banco de areia, o Forte São Marcelo, inicialmente chamado de Forte de Santa Maria Del Popolo.
Na Cidade Baixa também surgiram pontos de muita importância para a cidade e para o estado da Bahia, dentre vários podemos destacar o Comércio, o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo.


COMÉRCIO


O bairro do Comércio, até a década de 70, era muito importante para a vida da cidade.
O povoamento de bairros, como Iguatemi, traz mudanças no cenário da cidade, mas, ainda hoje, algumas lojas mantêm a memória dos tempos glamurosos.
O Comércio era a porta de entrada para se chegar a Salvador, por lá passou a família real, fugida de Portugal, e, também, servia, e serve até hoje, como principal porto de mercadorias da cidade, já foi considerado o maior porto do Atlântico Sul.
Durante 400 anos, a região figurou como único centro comercial, industrial e portuário da província.
A construção da Avenida Lafaiete Coutinho - Avenida Contorno em 1962 muda o aspecto do Comércio, favorecendo a implementação de um moderno Centro Comercial para a época.
Com o crescimento e a evolução da cidade para outra área, como o Miolo Central e Iguatemi, o bairro do Comércio é abandonado por suas principais empresas e, hoje, estuda-se um projeto de revitalização que confronta propostas turísticas, comerciais, imobiliárias e de moradia popular.

(Quem faz Salvador, 2002, Cd-Room, Ufba).






















Praia do Flamengo


PRAIA DO FLAMENGO / STELLA MARIS

As praias límpidas, com ondas e a tranqüilidade do lugar são marcas registradas do bairro de Stella Maris que nasceu em meados dos anos 80 e guarda as características de local de veraneio.
Stella, como é conhecida por seus freqüentadores, está rodeada de diversos clubes recreativos, por exemplo, o Clube dos Maçons e o dos empregados da Petrobrás.
A maioria das construções são casas e villages que abrigam moradores que preferem a tranqüilidade de um local distante do centro urbano.
Também repleta de casas e Villages, a Praia do Flamengo é um dos locais da cidade com a melhor qualidade de vida, dispondo de pousadas, padarias, mercados e restaurantes.
Nos fins de semana a praia é invadida por pessoas de todos os cantos da cidade que buscam a tranqüilidade de suas areias num contato íntimo com a natureza.

Itapuã

Itapuã significa “pedra de ponta” ou “ponta de pedra” e não “pedra que ronca”, como muitos acreditam. (...) Seu batismo, de origem tupi, é formado pela aglutinação dos vocábulos indígenas ita e apuã [ts].
Historicamente, há notícias dele desde o século XVI, quando Gabriel Soares de Sousa registrou em Tratado Descritivo do Brasil, em 1587: “Esta ponta é a que na carta de mareas se chama Lençóis de Areia, por onde se conhece a entrada da Bahia”.

Os indígenas, primeiros habitantes do local, já o chamavam de Itapuã.
Alguns relatos contam a chegada da fé católica numa terra dominada pelas práticas pagãs, como a lenda da aparição de São Francisco Argoin e a lenda da Pedra de São Tomé.
Outros relatos falam que Itapuã era parte de uma enorme fazenda, cuja posse até hoje provoca discussões.
O que se sabe com certeza é que as terras de Itapuã já foram chamadas por vários nomes, e eram arrendadas pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição até a década de 1950. Como é comum acontecer em Itapuã, a origem do bairro está relacionada às diferentes narrativas que se contradizem e se completam, e que algumas vezes fazem parte dos muitos mistérios associados ao lugar.

PRAIA DE ITAPUÃ

A praia de Itapuã dista cerca de 35 Km do centro de Salvador.
É uma praia de águas tranqüilas, boa para canoas e jangadas, com areia grossa e uma bela visão da cidade, ao longe.
Por ser cercada por uma barreira natural de recifes, antes da existência do Farol costumavam acontecer vários naufrágios na região.



PRAIA DO FAROL
Perto do Farol, a praia também é conhecida por algumas letras, que eram as antigas denominações das ruas da área, como Rua K e Rua J.
O mar é cheio de pedras, podendo formar piscinas naturais ou se tornar agitado conforme a maré.
A praia do Farol é porto de barcos, e também o local preferido dos surfistas.



PRAIA DE SÃO TOMÉ
Hoje conhecida como “Praia de Piatã”, essa praia tinha o antigo nome de “Praia de São Tomé” por causa de uma lenda relacionada à aparição do santo no local.
Desde muitos anos, essa praia é freqüentada por religiosos, que visitavam a capela (hoje extinta) e o cruzeiro que existe perto dos coqueirais.

DUNAS
São depósitos que tiveram origem há milhares de anos, com a participação dos movimentos do mar, dos rios e do vento.
A areia alva e fina das dunas costumava cobrir boa parte do solo de Itapuã.
Além disso, ainda hoje vão além dos limites da cidade, fazendo divisa com o município de Lauro de Freitas, área pertencente à Aeronáutica, podendo ser vista sua extensão pela Praia do Flamengo.
Por causa do número de construções que têm sido feitas na área, o tamanho das dunas diminuiu consideravelmente e, por causa da mudança do ecossistema, boa parte da área também está coberta pela vegetação.

PEDRAS
A “Pedra que Ronca” é a mais famosa das pedras de Itapuã. Localiza-se nas proximidades da rua K, perto do Farol de Itapuã. Contam as lendas que, antigamente, quando as ondas batiam nessa pedra, ouvia-se um barulho assustador, semelhante a um ronco, que fazia as pessoas se esconderem nas suas casas.
Muitas pessoas, inclusive, defendem a idéia de que “pedra que ronca” seria o significado original da palavra “Itapuã”.
A Pedra da Beraba e Pedra da Sardinha ficam localizadas nas proximidades da Av. Dorival Caymmi, cerca da Pedra Redonda: esta localiza-se próxima ao monumento da Sereia.
A Pedra Goodyear está localizada perto Colégio Estadual Lomanto Junior e é também conhecida como “Diogo Dias”.
A Primeira Pedra (Itapuã Grande) e a Segunda Pedra (Itapuã pequena) ficam situadas nas proximidades do Farol.
Piraboca: é a pedra em que foi erguido o Farol. Ainda é possível encontrar outras pedras no trecho Itapuã-Boca do Rio, como: Amendoin, Tanhaçu, Cabeça de Nego, Pedra do Sal, Escorrega e Cai, Alentáceos, Vermelha e São Francisco.

FAROL

Quinto farol a ser erguido na Bahia, e quadragésimo segundo no Brasil, o Farol de Itapuã foi erguido sobre a pedra de Piraboca, em 07 de dezembro de 1873.
Servindo como um orientador aos navegantes, o farol tem 21 metros de altura, e pode ser visto desde a distância de 14 milhas.
Uma vez que essa área é cercada por recifes, essa orientação é fundamental para proteger as embarcações do risco de naufrágio.
A Torre do Farol já foi roxo-terra, depois branca e laranja e, por fim, desde a década de 50, a torre é vermelha e branca.
Com o tempo, o primitivo equipamento foi sendo substituído por tecnologias mais modernas: em 1923, o Farol recebeu o eclipsor que acende e apaga automaticamente e, a partir de 1939, passou a contar com uma válvula solar.
Hoje, com 132 anos, o Farol de Itapuã continua sendo um importante referencial de patrimônio material e cultural do bairro.



SEREIA DE ITAPUÃ
Um dos principais símbolos do bairro, o monumento da sereia está localizado em um ponto central, no cruzamento entre as Avenidas Otavio Mangabeira, Dorival Caymmi e a Rua Aristides Milton.
O monumento foi construído pelo artista plástico Mario Cravo em homenagem aos pescadores e aos elementos que identificam o mar. A sereia mede aproximadamente 1,5m, é feita de ferro
batido, pintada de prata e assentada em uma pedra de granito.
O monumento foi instalado em 1958, quando existia uma placa escrita “Bem vindo a Salvador” em 5 idiomas (português, francês, alemão, inglês e italiano).
A placa e a sereia foram retiradas com o projeto de Valorização da Orla, sendo reposta depois de seis meses apenas a sereia.



ESTÁTUA DE BRONZE DO POETA VINICIUS DE MORAES
A estátua foi encomendada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) ao artista plástico Juarez Paraíso, que contou com a participação de Márcia Magno, Renato Viana e Paula Magno na obra.

PRAÇA DORIVAL CAYMMI
Foi inaugurada, em 1953, em homenagem ao músico e compositor Dorival Caymmi, que deu visibilidade ao bairro com suas canções.
A praça é um dos lugares mais movimentados do bairro, e localiza-se entre a rua Aristides Milton e a rua Genebaldo Figueiredo, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.

PRAÇA VINICIUS DE MORAES
Inaugurada em 2003, na área do Farol de Itapuã, perto de onde o poeta e compositor costumava morar, a praça foi idealizada para servir à comunidade do bairro como um espaço público de lazer e cultura.
Possui jardins, dez bancos de madeira e piso de concreto, paralelepípedos e detalhes em granito.
Além disso, existem dez totens com as letras de suas músicas mais importantes e trechos de poemas famosos do poeta, além de uma pequena biografia e monumento em sua homenagem.

CAPELA DE SÃO FRANCISCO
A Capela foi erguida no século XVIII por ordem de Francisco Dias D’Ávila, para abrigar a imagem de Santo Antônio Argoin, que apareceu entre os destroços de um naufrágio na região. Situada no cemitério de Itapuã, que fica na atual Vila dos Sargentos, a capela continua sendo freqüentada, embora os fiéis não mais realizem Lavagens e Procissões em homenagem a São Francisco, como no passado

Av Centenário

CENTENÁRIO / CHAME-CHAME

Um corredor cercado de árvores, jardins e sombras: esta é a Centenário, a avenida mais bela de Salvador.
Por suas duas pistas duplas temos acesso aos bairros do Chame Chame, Graça, Barra, Jardim Apipema, Calabar, Federação e ainda às avenidas Garibaldi, Reitor Miguel Calmon (Vale do Canela) e Vasco da Gama.



O túnel Teodoro Sampaio separa a área nobre da avenida de uma outra menos sofisticada que termina próxima à Estação da Lapa e ao belo Dique do Tororó.
A Centenário é a principal avenida do bairro do Chame Chame, onde estão localizados o Shopping Barra, o terceiro maior da Cidade; a Igreja de Santa Terezinha, sede da paróquia do bairro; um grande mercado 24 horas, além de lojas diversas, escolas, oficinas de automóveis, padarias e farmácias.





O Chame Chame abriga prédios de classes média e alta e desfruta da sua proximidade com as praias da Barra.




Ondina

Ondina é um dos bairros mais aprazíveis de Salvador, limitado pelas avenidas Oceânica e Anita Garibaldi, fazendo fronteira ainda com os bairros do Chame Chame, São Lázaro, Federação e Rio Vermelho.


Sua principal avenida, a Adhemar de Barros, divide o bairro em duas áreas bem distintas. Partindo do cruzamento deste logradouro com a Avenida Oceânica, no sentido Barra, temos a Ondina dos grandes hotéis, como o Bahia Othon Palace e o Ondina Apart, que durante o Carnaval se transforma numa grande passarela de trios elétricos.
Nesta área, com moradias, predominantemente de classe média, encontramos ainda um dos Campus Universitário da Universidade Federal da Bahia.
Do outro lado da Avenida Adhemar de Barros, o Alto de Ondina, grande morro debruçado para o oceano, abriga o Palácio de Ondina, residência oficial do Governador da Bahia. Ainda neste morro é possível encontrar um conjunto de moradias mais humildes que se debruçam, desta vez, para a Avenida Garibaldi. Aos pés do Alto de Ondina, entrando pela Adhemar de Barros, o Parque Zoobotânico Getúlio Vargas guarda inúmeras espécies da nossa fauna e flora.
A praia de Ondina é muito frequentada nos fins de semana, possuindo piscinas naturais e uma gruta atrás do Bahia Othon Palace.







Pituba

Pituba é uma palavra de origem tupi que significa brisa, hálito, sopro forte.
A história do bairro nasce no início do século XX, quando Joventino Pereira da Silva, juntamente com seu cunhado Manoel Dias da Silva, adquiriu a Fazenda Pituba, e, juntos, traçaram o plano Cidade Luz.
Joventino, que era mineiro, trouxe consigo a idéia de implantar na Pituba uma estrutura moderna igual à de Belo Horizonte, com quadras divididas estrategicamente, ruas largas e muitos espaços para belas moradias.
O projeto de loteamento foi publicado em 1919, com relatório assinado pelo engenheiro civil Teodoro Sampaio, e aprovado pela Prefeitura Municipal de Salvador em 1932.
O esquadrinhamento do terreno estabeleceu a abertura de 10 vias logitudinais paralelas à linha da costa, algumas das quais seriam denominadas avenidas, e 15 transversais perpendiculares às primeiras.
Ficou estabelecido em documento de 1915 que o eixo principal do arruamento, então conhecido como Estrada da Pituba, seria denominado Avenida Manoel Dias da Silva, oficializada pela Lei Municipal nº 1.664, de 2 de dezembro de 1964”.
Até a década de 70, muitas famílias ainda veraneavam na Pituba mas, de lá pra cá, o bairro presenciou um desenvolvimento surpreendente.
Hoje a Pituba é um bairro super moderno, com uma infra estrutura invejável e talvez, o mais auto suficiente da cidade, possuindo diversas agências bancárias, restaurantes, bares, teatros, escolas, shopping centers e um comércio muito diversificado.
Além da Avenida Manoel Dias da Silva, podemos destacar ainda a Avenida Paulo VI como uma das mais importantes.

Depoimentos

“... Então, a cidade é um organismo vivo, um organismo dinâmico. Ninguém acredita que bairros inteiros não existiam a cinqüenta anos passados. Eu dei o meu exemplo aqui, existia um ônibus de Pituba que fazia a viagem três vezes por dia, de manhã, meio-dia e de noite, um ônibus, um só e ia até a porta do Colégio Militar, dali em diante você tinha que ir na paleta, a cidade acabava em Amaralina. "
(Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br

Rio Vermelho

O Rio Vermelho é um desses lugares especiais cheios de lendas e histórias.
A mais antiga delas talvez seja a do naufrágio de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que naufragou por lá em 1510, conseguindo salvar-se pelo amor que despertou na filha do chefe Itaparica.
O episódio acabou resultando no batismo do seu principal largo, o Largo da Mariquita, que em tupi guarani significa naufrágio.
Suas histórias podem ser literalmente histórias de pescadores, que escolheram ou foram escolhidos pelo bairro para abrigar a sua colônia de pesca.


No mar do Rio Vermelho, Iemanjá, Rainha das Águas é celebrada com devoção no dia dois de fevereiro numa festa que atrai multidões, numa prova concreta da devoção e fé do povo baiano. O Rio Vermelho, batismo de sangue que atravessou o Rio das Tripas trazendo os sinais vitais do Mosteiro de São Bento, é um patrimônio da cidade.
Um bairro com o cheiro do dendê de Dinha, Regina e Cira, cheio de boemia, fé, lendas e histórias que resume todo o espírito soteropolitano.





Depoimentos
“No caso do Rio Vermelho, há a considerar o seguinte: “camarajibe”.
Camarajibe” é um nome que foi transformado pelo uso popular em “camurujipe”. “Camarajibe” é rio dos camarás.
Quem conhece camarás aqui? Ninguém mais conhece, todo mundo é do asfalto. É uma florzinha vermelha, abundantíssima, antigamente tinha demais aí, na cidade.
Rio das florzinhas vermelhas, rio vermelho, daí nasce o nome do rio que foi propriedade da casa de Ibiza.
Propriedade de Manoel Inácio da Cunha Menezes, que ganhou de sesmaria a terra que vai dali, da Mariquita até a sede de praia do Bahia, daí para dentro, a mesma coisa.
Morou numa casa que eu ainda conheci e aqui, aqui ninguém conheceu, todo mundo é menino. Foi durante muito tempo sede do Aeroclube da Bahia, depois foi demolida e agora fizeram lá, aquela coisa. Ali estava a sesmaria de Manoel Inácio da Cunha Menezes do rio Vermelho.”
(Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br

Bairro da Graça

O bairro da Graça é um dos mais antigos de Salvador e está localizado no local inicialmente conhecido como Vila Velha.
A sua localização no alto de um morro tinha uma função estratégica, possibilitando uma vista panorâmica do mar que ajudava a prevenir possíveis ataques inimigos.
Situado próximo aos bairros da Barra, Vitória, Canela e Federação, a Graça é um lugar onde, apesar da existência de comércios, bancos, clínicas e escolas – é um dos bairros mais bem servidos da cidade – há uma predominância de moradias da classe média e alta de Salvador.
Na Graça, está situada a primeira igreja construída em Salvador, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, por ordem de Catarina Paraguaçu, mulher de Diogo Álvares, o Caramuru.
A fonte de Nossa Senhora da Graça, recentemente reformada, é outro atrativo deste bairro onde lendas e histórias se confundem.



Av. Sete / Carlos Gomes

"Quando um morador tradicional de Salvador diz que vai à Avenida Sete podemos ter a certeza de que ele está se referindo ao trecho desta avenida que vai do Campo Grande à Praça Castro Alves.
Afinal de contas os outros trechos são mais conhecidos por outros nomes como Corredor da Vitória ou Ladeira da Barra.
A Avenida Sete (de Setembro) foi durante muitos anos a principal via de Salvador que ligava a antiga Vila do Pereira ao Centro Histórico.
Foi também o principal centro comercial da cidade, tendo entrado em decadência após o surgimento dos grandes shopping centers.
Ainda hoje é possível observar no horário comercial um fluxo intenso de transeuntes que circulam por entre lojas, ou simplesmente querendo chegar a uma das localidades adjacentes como o Politeama, as Mercês ou São Pedro.
Paralela à Avenida Sete fica a Rua Carlos Gomes cujo tráfego de veículos se dá em sentido inverso à primeira.
As duas se encontram na Praça Castro Alves formando a esquina do Edifício Sulacap. A história desta avenida se confunde com a história de Salvador e com as suas personagens, do passado e do presente, que circularam por suas calçadas".
Cid Teixeira

Depoimentos
“...Ora, amigos, a cidade não se expandiu muito mais do que isso. Mas, há um fato urbano que há de ser ressaltado desde aí, o Caminho do Conselho.
O Caminho do Conselho que era a ligação entre a cidade nova que nascia e a velha Vila do Pereira que estava lá, no Porto da Barra.
Este Caminho do Conselho que é hoje a Avenida Sete de Setembro, só que evidentemente com todas as modificações, com todas as alterações, com todas as distorções positivas e negativas acontecidas ao longo de quatro séculos.
Para começo de conversa, vejamos o seguinte: subia-se a ladeira de São Bento e encontrava-se o mosteiro, que os padres vieram um pouquinho depois da chegada de Tomé de Souza, e daí, numa cumeada só, sem maiores percalços, você vai andando pelo atual traçado da Avenida Sete de Setembro, até que nós chegamos na altura aproximada do que é hoje o edifício Fundação Politécnica, o Largo de São Pedro, aproximadamente.
Ali começa a ficar mais larga a cumeada e começa a surgir umas pequenas ruas laterais, o Areal de Baixo, o Areal de Cima, bem mais tarde – eu estou agora a dar um salto na cronologia – a casa do Sodré, que acabou deixando o seu nome para a rua; e assim nós vamos caminhando pelo Caminho do Conselho.
Mas o grande momento das alterações está no Campo Grande.
Meus amigos observem uma coisa, ninguém faria um forte cuja porta principal batesse de cara com uma muralha; ninguém faria um forte e o grade da rua junto do forte ser mais alto do que esse mesmo forte.
Então, não se pode julgar o forte de São Pedro pelo que está lá hoje; considere-se que ele estava disponível a céu aberto, não havia o que você chama hoje de Passeio Público, com aquela grade, naquela altura. De tal sorte que entre o forte de São Pedro e o forte de São Paulo da Gamboa, havia uma interação natural que ao tempo se foi modificando.
Observe que há um viaduto, um viaduto de ferro ali atrás que não tem nada a ver com o que Tomé de Souza viu.
Eu desconfio que se Tomé de Souza saltasse aqui hoje, não ia reconhecer muito o sitio, o que é ótimo, porque é prova do progresso nosso.
E aí vamos chegar ao Campo Grande, onde aconteceram as coisas mais espantosas que se possa querer em matéria de urbanismo.
Em primeiro lugar, uma invasão de colarinho branco, a primeira de que nós temos notícia.
Todo aquele correio de casas que está entre o atual hotel da Bahia até a rua do forte de São Pedro, assim chamada, tomando a face do forte que era disponível para o Campo Grande de São Pedro.
Por outro lado, as modificações do próprio forte de São Pedro, da rua do forte de São Pedro.
Observem vocês, passando por ali, que todas as casas do forte de São Pedro, desde o teatro Castro Alves até o Politeama, tem um primeiro, segundo, terceiro, às vezes quarto subsolo; há umas escadinhas descendo por ali, meus amigos urbanistas devem estar bem lembrados delas...”
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Boa Viagem / Monte Serrat

O bairro da Boa Viagem surge no período colonial e tem a sua origem com a fundação da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem entre 1712 e 1714.
A área da Boa Viagem foi utilizada como lugar de desembarque de mercadorias no passado e, hoje, vem sendo procurada por oferecer a mais privilegiada vista das Cidades Alta e Baixa.
O conjunto formado pela Igreja e Hospício de Nossa Senhora da Boa Viagem é o ponto de chegada da Procissão Marítima do Bom Jesus dos Navegantes no dia 1º de janeiro.
A história do bairro do Monte Serrat inicia quando, segundo alguns historiadores, Tomé de Souza, o primeiro Governador Geral do Brasil, procura um lugar adequado para construir uma grande povoação e um forte, como havia lhe ordenado o rei de Portugal D. João III.
O Forte de Monte de Serrat, conhecido como Forte de São Felipe – denominação que perdurou até o início do século XIX – foi construído em 1583 para servir como base militar, defendendo, juntamente com o Forte de Santo Antônio, o acesso norte da cidade.
Monte Serrat é uma referência à imagem da virgem espanhola, trazida por um padre jesuíta que implantou a devoção a Nossa Senhora de Montserrat no local.

Depoimentos

Humaitá?

”Humaitá era um clube brega que tinha lá. Quando eu era rapaz, o lugar de dançar era no Humaitá. Humaitá, não é um nome antigo? Não, nós somos de duas épocas diferentes, minha filha. Então, começou-se a dar o nome Humaitá, que não tem nada com a história. A Igreja de Montserrat, de 1659 aquela feição, mas ela já vinha de antes.”

(Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br

Origem do nome Montserrat e origem da comunidade negra em Salvador

”Montserrat é em referência à virgem espanhola, trazida por um padre jesuíta espanhol que implantou lá a devoção a Nossa Senhora de Montserrat.
Africanos na Bahia, desde o primeiro momento que chegam escravos. Mas na verdade, nessa sala, eu não sei se tem muita gente aqui que se considere imunizado contra a anemia falciforme, acho que ninguém. Uns mais, uns menos; todo mundo aqui está meio pro lado de lá, meio pro lado de cá. A densidade negra na cidade de Salvador começa muito tarde porque ninguém tinha na cidade de Salvador quinze nem vinte escravos, não, tinha o mínimo bastante para o serviço doméstico. Onde era a mão de obra escrava reforçada era no Recôncavo, no negócio do açúcar. Com o colapso do açúcar, com a queda do açúcar, com a abolição da escravatura houve uma migração, os ricos empobrecidos vieram à busca de emprego público, foram ser tabeliães, foram ser coisas assim; os negros libertados vieram à busca de comida. Uma vez eu escrevi um artigo que quase que dá zoada forte, o título do artigo era enorme, “Quem deu o almoço do escravo no dia 14 de maio?”.

Você já parou para perguntar isso? Ele ficou com fome e veio buscar comida aqui.
Então, a densidade negra na cidade de Salvador não é da colônia, não; não é não; tinha sim, mas o bastante para pequenos serviços domésticos e acabou-se.
A migração em massa se passa quando se esvaziam os engenhos de açúcar. Aí sim, vem todo mundo para cá.”

(Cid Teixeira)

Vila Operária

A Vila operária da Boa Viagem, a primeira vila operária de Salvador, foi construída por Luiz Tarquínio para abrigar os funcionários de sua fábrica na península, a Empório Industrial do Norte.
O projeto da Vila foi inspirado nas “Tenement Houses”, condomínios operários britânicos.
Sua inauguração se deu no ano de 1892.
As casas possuíam luz elétrica, um artigo luxuoso na época, além de jardim com flores e calçadas constantemente lavadas com água e sabão.
Contava com uma praça arborizada, dois coretos, farmácia, armazém e biblioteca.
Para possuir uma casa na Vila, os operários pagavam um quarto do salário como aluguel. Após cinco anos, os funcionários que fossem tidos como eficientes passavam a ser proprietários dos imóveis, recebendo a escritura da casa.
Os filhos dos operários tinham o direito à educação, desde o jardim da infância.
A filha de Luiz Tarquínio estudava também na Vila, junto com os filhos dos funcionários para provar que o ensino era de qualidade.
O método de ensino adotado era o americano e além das matérias formais, as crianças tinham aulas de artes.
Havia também cursos noturnos para adultos, creche, assistência médica e dentária.
A intenção de Luiz Tarquínio era fazer dessa vila a melhor Vila Operária do país.
Indo de encontro ao pensamento vigente na época, que ainda adotava o trabalho escravo, Luiz Tarquínio defendia que o trabalho produtivo dependia de boas condições de vida para os funcionários.
Após a falência da Fábrica na década de oitenta, as escrituras das casas foram repassadas pelo Governo do Estado aos antigos moradores ex-operários e seus descendentes.
Atualmente os traçados originais das casas foram modificados pelos sucessivos moradores, desde a estrutura interna até as fachadas dos prédios.

Bonfim

Situado numa das regiões mais privilegiadas da cidade, de onde se pode contemplar toda a beleza da Baía de Todos os Santos, o bairro do Bonfim é sinônimo de devoção.
Abençoado pela mais querida igreja da Bahia, a Basílica do Senhor do Bomfim, inaugurada em 24 de junho de 1754, o Bonfim revela do alto da Colina Sagrada um contraste entre duas cidades distintas: a do seu entorno, constituída de casas datadas do pós-guerra e a da Salvador moderna de “além mar” com seus espigões na Vitória e na Barra.
Habitado por um povo apaixonado e orgulhoso, o bairro é o ponto culminante da mais rica celebração religiosa do país, a Lavagem do Bonfim, onde católicos e adeptos do candomblé comungam uma mesma fé.
Localizado na Península Itapagipana, entre os bairros da Boa Viagem, Massaranduba e Roma, o Bonfim é um paraíso de tranqüilidade e beleza e, como diz o dito popular, “Quem foi à Bahia e não foi ao Bonfim, não foi à Bahia”.

CAMINHOS DOS BONDES

A primeira linha de bonde da cidade foi criada na Cidade Baixa, ligando Coqueiros de Água de Meninos à baixa do Bonfim, em 1866.
Era uma linha de bonde puxado a burro, da Concessionária do empresário austríaco Rafael Ariani.
Em 1869 passou para o controle da linha férrea dos veículos Econômicos e a linha foi estendida à Penha.
Nos anos de 1930 havia quatro linhas de bonde na Península de Itapagipe.
A de número doze conduzia até a Estação de Trem da Calçada, no bairro de mesmo nome.
A linha dezoito era a Luiz Tarquínio. Passava pela orla da praia da Boa Viagem onde hoje é a Avenida Luiz Tarquínio até a Ribeira. Foi criada com o desenvolvimento urbano que a Companhia Empório Industrial do Norte, fábrica de Luiz Tarquínio, levou para a região.
Onde hoje é a Avenida Dendezeiros havia a linha de número dezoito. Tinha como destino o Bonfim, para levar os romeiros da igreja.
Por fim, na Avenida Caminho de Areia, a linha de número vinte conduzia até a Ribeira. Sua curiosidade era ter os trilhos passando sobre a areia, pois o caminho foi aberto no areal, o que originou o nome da avenida.

Ribeira

O bairro da Ribeira fica situado na Península Itapagipana, na Cidade Baixa.
Banhado pelas águas da Baía de Todos os Santos e da Enseada dos Tainheiros, é um dos poucos bairros em que os moradores conservam o hábito de colocar cadeiras nas portas das casas, no finalzinho da tarde, e de sentar para apreciar a paisagem.
A autenticidade do povo que mora na Ribeira, com sua cultura tão particular retrata de forma quase mágica a divisão da cidade em Alta e Baixa.
É difícil explicar esta sensação de magia.
É necessário experimentá-la para compreendê-la. É preciso conhecer a Ribeira, que da Cidade Alta parece nem existir, mas que, quando nos encontramos lá, nos provoca um choque delicioso pela descoberta de uma outra Salvador.

A Ribeira dos acarajés, pastéis e dos famosos sorvetes sobrevive e mantém preservada a sua personalidade única.

As primeiras ocupações passando pela Boa Viagem, pela igreja de mesmo nome e seguindo o bairro de Monte Serrat é possível conhecer marcos das primeiras construções portuguesas na península.
A Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat e o Forte de Monte Serrat são exemplos das mais antigas construções da região.
O bairro oferece também como atração o antigo Iate Itapagipe, as casas seculares ao lado da igreja, a vista da Baía da Ponta do Humaitá e a sede do CRA – Centro de Recursos Ambientais.
Subindo a Rua Rio São Francisco, em direção ao Bonfim, é possível ver o Hospital Couto Maia, o Convento da Sagrada Família e o Mirante do Bonfim, logo em frente.
Ao Redor da famosa Igreja do Bonfim, as casas dos romeiros e o Solar Marback completam o conjunto arquitetônico. Na parte baixa do largo, o Centro de Artesanato do Bonfim é opção para comprar uma lembrança da Bahia e da cidade. Descendo a Ladeira da Lenha é possível percorrer a Avenida Beira Mar e apreciar as praias calmas da península. Se a opção for a Rua Travassos de Fora, seguindo pela Rua Visconde de Caravelas é possível passar pelo Largo do Papagaio, Largo da Madragoa até chegar ao Fim de Linha da Ribeira, bairro que também foi palco das primeiras ocupações urbanas.
Na Penha, além da praia e da sombra dos Tamarindeiros há a Igreja da Penha, do século XVIII. No Largo da Ribeira há o famoso sorvete da Ribeira e a pastelaria, que atraem muitos visitantes ao bairro. Da orla é possível avistar o subúrbio. À noite, o conjunto de casas iluminadas faz lembrar um presépio.
Na Avenida Porto dos Tainheiros além das marinas e barcos, os Clubes de Remo, o Solar Amado Bahia, o antigo Hidroporto da Ribeira e o Instituto de Cultura Brasil Itália Europa são algumas das atrações.

Depoimentos

Onde fica a ribeira dos galeões?
“A ribeira dos galeões é o bairro da Ribeira. Porque ribeira, em vernáculo, é o local onde o navio ou embarcação, tem uma oscilação de marés tal que permite que o barco fique em seco para trabalhar. Isso acontecia cá, na ribeira das naus, hoje não acontece mais porque já aterrou tudo, do segundo distrito para cima já não tem mais nada. E lá na Ribeira, onde ainda acontece isso na praia do Bogari. Repare que quem tem barco para consertar leva para lá porque ali é fácil, quando a maré baixa está seco.”
(Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br

Largo da Ribeira

O Largo da Ribeira, também conhecido como Largo da Penha, é o centro do bairro da Ribeira.
Formado pela junção de duas praças, a Praça General Osório e a Praça General Justos, o Largo está localizado no final da Avenida Porto dos Tainheiros, entre a avenida e a Ponta da Penha. Protegido por velhas árvores, o Largo da Ribeira convida os visitantes à contemplação do mar calmo da Baía de Todos os Santos, sendo um dos pontos mais paradisíacos da península.
Segundo o Sr. Miguel Gesy Lopes, morador da Península de Itapagipe, os visitantes que se dirigiam ao Largo geraram o costume de chamar a região de Itapagipe de Ribeira.
Na região da Penha, como conta o historiador Luiz Henrique Dias Tavares, a família Garcia D’ávila iniciou sua trajetória de enriquecimento, fundando aí uma Olaria e Curral.
Mais tarde, foi o local preferido pelas famílias abastadas da cidade para construção de residências de veraneio.
Ao lado, na Ponta da Penha, casais namoravam sentados à sombra de grandes tamarindeiros e assistiam as apresentações de Ternos de Reis.
No Largo da Ribeira encontramos o final de linha da Ribeira, terminal de ônibus do bairro.
O Largo atrai muitos visitantes e moradores que buscam o local para apreciar as delícias da famosa Sorveteria da Ribeira, jogar dominó com os amigos ou simplesmente apreciar a paisagem bucólica da península.
O tradicional Clube de Regatas Itapagipe desponta imponente no centro do Largo, próximo ao único teatro do bairro, o Espaço Cultural Cena Um. No lado oposto, junto à Ponta da Penha, a Marina da Penha é opção para festas e shows.

Sorveteria da Ribeira

A Sorveteria da Ribeira foi inaugurada em 1931 pelo italiano Mário Tosta.
Ele fabricava e vendia pizza, e vendia também sorvetes, um dos primeiros estabelecimentos do ramo na Península.
Em 1964, o atual dono, o espanhol José Lorenzo Hermida, veio para o Brasil procurar trabalho e encontrou na sorveteria.
Anos depois, ele a comprou e o antigo dono foi para o Rio de Janeiro, onde montou uma fábrica de macarrão, seguindo a tradição, de fazer massas, de sua família italiana. Mário Tosta passou todos seus conhecimentos sobre os sorvetes para o Sr. José Hermida.
Nos fundos da loja tem uma mini-fábrica onde os sorvetes são feitos e batidos, artesanalmente.
As frutas são compradas na feira de São Joaquim na mão de um mesmo fornecedor há mais de 30 anos e a casquinha é comprada há 10 anos na mão de Rosângela Oliveira.
A tradição está presente também com os funcionários.
O mais antigo e famoso do local é José de Jesus Almeida, conhecido como Chumbinho, devido à sua rapidez para atender as pessoas quando começou na sorveteria em 1974.
Outra sorveteira antiga é Jocileide de Almeida, que trabalha lá desde 1987 e que, além de fazer sorvetes também cuida da parte administrativa. Além deles, mais seis atendentes trabalham no local e outros três são contratados para os dias mais movimentados.
A sorveteria, que tem uma localização privilegiada na Ribeira, é reconhecida como ponto turístico na cidade, atraindo pessoas de todos os bairros, cidades e países.
O verão é a época em que os sorvetes são mais vendidos, e os sabores mais procurados são os de coco, chocolate, tapioca, ameixa, os chamados cremosos.
Um dado curioso é que o sorvete de tapioca foi inventado na Sorveteria da Ribeira e foi patenteado e levado pra outros países, fazendo um enorme sucesso lá fora.
Outros sabores famosos e os campeões de venda são os de frutas como mangaba, cajá e pitanga, que é feito só na época da fruta.

Morro do Ipiranga

Berço histórico das mais tradicionais famílias baianas, o Morro do Ipiranga mantém vivo seu encanto. Referência geográfica numa posição mais do que privilegiada, o Morro do Ipiranga oferece uma das mais encantadoras vistas para o mar da Bahia.. Aos seus pés, o Morro do Cristo, o Farol da Barra, o horizonte do mar. É a vida em estado de poesia. 




Arquitetura moderna Salvador


Quando se fala de Salvador , a primeira idéia que aflora é de uma Salvador antiga e histórica , e se pensa apenas no Pelourinho , no Mercado Modelo , como se Salvador fosse só isto, o Farol e a praia do Porto da Barra , Itapoã e outros pontos turísticos mais conhecidos , difundidos , e mostrados aos turistas.
Salvador convive com a história e com a modernidade , como mostra este conjunto de prédios de um dos novos bairros , o Itaigara . A cidade cresce em ritmo acelerado com novos edifícios de luxo , restaurantes de luxo, aos quais são acrescentados tudo o que há de mais mais moderno, proporcionando , no caso dos apartamentos, uma excepcional qualidade de vida, para quem pode, é claro. É assim que a Salvador de hoje , que saiu do Centro Antigo e que se expandiu em todas as direções , tem vida própria em todos os bairros e dispõe também de modernos Shoppings Centers que atende a uma população estimada em quase 3 milhões de pessoas . Tudo isto está demonstrado nas novas avenidas, nos edifício modernos que aparecem quase que de um dia para o outro e tudo o mais que a modernidade oferece . A Salvador antiga, convive muito bem com a moderna que se expande numa velocidade impressionante.






Igreja Nsa.Sra. da Graça


IGREJA E ABADIA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA

A igreja situa-se no bairro da Graça e era o centro da antiga Vila Velha fundada por Caramuru.
Com o desenvolvimento da cidade, a pequena colina foi cortada e a escala da igreja ameaçada pelos altos edifícios em sua vizinhança.
O grotão atrás da Abadia é considerado área non aedificandi (GP-1) pelo Decreto Municipal nº. 4.524 de 01.11.1973.
A abadia se desenvolve em dois pavimentos em torno de um claustro quadrado, ocupando a igreja o "quarto" esquerdo.
Os tetos da capela-mor e nave são de autoria de Manoel Lopes Rodrigues, executados em 1881 e substituem os anteriores de José Teófilo de Jesus, do final do séc. XVIII.
Na sacristia existem duas telas de autores desconhecidos: uma representando a visita votiva do Senado à igreja, em 1765, e outra narrando os vários episódios da vida de Diogo Álvares Correia, desde o naufrágio até o seu embarque para a França e o episódio de Moema.
Existe ainda quadro de Manuel Lopes Rodrigues, intitulado de "O Sonho de Paraguassú", do final do séc. XIX.
A igreja possui muitas peças de mobiliário antigo, dentre as quais destacam-se cadeiras executadas no séc. XVII. A primitiva imagem de Nossa Senhora da Graça foi desbastada no começo deste século, perdendo a sua rusticidade.
Possui ainda uma imagem de N. S. do Parto, atribuída ao séc. XVII.
A abadia da Graça apresenta uma das formas mais primitivas de mosteiro beneditino no Brasil. Este modelo seria desenvolvido em S. Bento do Rio de Janeiro com a duplicação da circulação em torno do claustro, estabelecendo uma separação entre a vida comunal desenvolvida no claustro, e a vida íntima desenvolvida nas celas.
A igreja sofreu grandes obras em 1770. Sua fachada barroca é desse período, mas a caixa é, provavelmente, seiscentista, ainda que alterada.
A presença de arcada na ala esquerda, atualmente fechada, indica a existência de um avarandado tipicamente seiscentista. Este elemento, que viria transformar-se no corredor lateral, é encontrado em igrejas rurais do século XVII como S. Miguel (SP), Pandalho (Pe), Santo Amaro de Ipitanga (Ba). A arcada da Graça parece ser mais primitiva que os exemplos citados, pois ainda não apresenta tribunas superpostas.
A sobrevivência de um outro testemunho seiscentista, a pequena torre de terminação em meia laranja, reminiscência da técnica mossárabe, no lado oposto da igreja, prova que a nave, ainda que tenha sido alongada e elevada, é a mesma de 1645.
O altar-mor da igreja tem a mesma composição rococó do altar-mor da igreja da Barroquinha.

Histórico arquitetônico

1535 - É fundada a primeira igreja da Bahia;
1586 - A primitiva igreja e terrenos adjacentes são doados por Catarina Paraguassú aos padres de São Bento, a 16 de julho;
1645 - Sob a planta do Frei Gregório de Magalhães foi erguida a abadia e colégio, cujo claustro se mantém até hoje;
1770 - Dado o estado de quase ruína, a igreja foi reconstruída. O abade D. Inácio da Piedade Pinto ampliou a nave, ergueu dois altares laterais e dourou o teto, confiando a pintura do mesmo a José Teófilo de Jesus. Reformou a fachada e restaurou a abadia. Restou, porém, a torre da primitiva igreja terminada em meia laranja;
1881 - Refeita a pintura do forro da nave por Manuel Lopes Rodrigues.

Fonte: Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.

Curiosidades

A LENDA SOBRE A ORIGEM DA IGREJA DA GRAÇA

A construção da Igreja da Graça, segundo diz a lenda “fora conseqüência das visões, várias vezes repetidas, de Catarina (Paraguassú), de que uma mulher que viera por nau, estava entre os gentios e lhe pedia que a mandasse buscar.
Procedidas diversas buscas por Diogo Álvares, Caramuru, fora encontrada a imagem de N. Senhora em poder de um índio que apanhara na praia e que, por ignorância do que se tratava, a jogara em um canto da casa. Então, Diogo Álvares apanhou-a e levou com grande reverência. Sendo apresentada à sua mulher Catarina, essa abraçou-se com a imagem, derramando-se em lágrimas de alegria, dizendo ser aquela a mulher que lhe aparecia e falava.
Pediu então ao marido para mandar erguer um templo, o que o mesmo fez de barro e, mais adiante, de pedra e cal, trasladando a imagem que ficara venerada com o título da Graça”.