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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Festas populares

No período colonial brasileiro, festas cívicas e religiosas não se diferenciavam muito, há um entrelaçamento entre elas, afinal todo festejo cívico deveria ter pelo menos a celebração de uma missa.
Além das inúmeras festas ligadas ao culto dos santos, existiam também o entrudo e as procissões reais ou da Câmara.
No século XVI, havia o padroado – política desenvolvida pelos reis católicos, segundo a qual a igreja romana delegava aos reis a tarefa de organizar a vida religiosa nos domínios coloniais.
Eles podiam escolher e nomear arcebispos e bispos, fundar paróquias e realizar missões. Dentro dessa política, desde a fundação de Salvador, a Câmara, a exemplo do que acontecia em Lisboa, tinha a obrigação de custear, organizar e realizar as procissões reais.

O ano já começa com a procissão marítima do Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes, na qual centenas de embarcações de todos os tipos singram a Baía de Todos os Santos levando a imagem do Bom Jesus da igreja da Conceição da Praia para a capela da Boa Viagem, num belíssimo cortejo de fé.
Depois, vem uma seqüência de festejos, entre os quais se destaca a Lavagem do Bonfim, uma quilométrica procissão, com todos vestidos de branco, entre a igreja da Conceição e a do Bonfim, no alto da Colina Sagrada. Fazendo jus à máxima de que "quem tem fé vai a pé", a cada ano cerca de 800 mil pessoas garantem a grandiosidade desse evento religioso.
Ao chegarem, baianas vestidas tipicamente despejam seus vasos com água de cheiro no adro da igreja e sobre as cabeças dos fiéis, num ritual de fé e esperança.
É, também, destaque, por atrair milhares de fiéis de outras regiões do País, a Festa de Iemanjá, dia 2 de fevereiro, quando os adeptos do candomblé homenageiam a Rainha do Mar, simbolizada numa sereia.
A festa acontece no bairro do Rio Vermelho, uma poderosa manifestação de fé na força da Mãe d'Água, que tem seu desdobramento profano nas barracas padronizadas, onde a crença se transforma em samba. Vale a pena deixar ali uma oferenda para Iemanjá, acompanhada de um pedido.

Calendário das Festas Populares de Salvador

01/01- FESTA DO SENHOR BOM JESUS DOS NAVEGANTES E BOA VIAGEM - Após o reveillon, na manhã do dia primeiro de Janeiro a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes é conduzida na galeota "Gratidão do Povo", pelas águas da Baía de Todos os Santos.
Dezenas de barcos acompanham a procissão marítima que dá boas-vindas ao Ano Novo, há também os festejos populares da Boa Viagem.

03 a 06/01 - FESTA DE REIS OU DA LAPINHA - Na noite do dia 5 para o dia 6, diversos Ternos de Reis se apresentam no Largo da Lapinha lembrando no canto e na dança, a visitação do Reis Magos ao Menino Jesus.

Janeiro - FESTA DO BONFIM - A lavagem do Bonfim é a maior festa de largo da Bahia, e o ponto alto das comemorações da festa do Senhor do Bonfim.
Neste dia, milhares de pessoas vestindo branco seguem em animado cortejo da Basílica da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, num percurso de oito quilômetros.
Mães e filhas de santo com seus jarros de flores e água de cheiro seguem em direção à Colina para lavar o adro da Igreja do Bonfim.
Autoridades, fiéis, pagadores de promessa e foliões acompanham o cortejo a pé, em carroças e caminhões.Novena, missa solene e festa popular complementam as comemorações.

Janeiro - REGATA DE SAVEIROS JOÃO DAS BOTAS
Esta regata, criada em 1969, tem o seu colorido próprio por ser disputada por embarcações tradicionais da Baía de todos os Santos, que são os saveiros e as canoas a vela.

Janeiro - TRAVESSIA MAR GRANDE / SALVADOREste evento acontece de há muitos, nadadores do mundo inteiro competem nadando da Cidade de Mar Grande na Ilha de Itaparica para o Porto da Barra em Salvador.

Janeiro - FESTA DE SÃO LÁZAROSão Lázaro, sincretizado como Omolú é homenageado na sua igreja enquanto que nos arredores os fiéis tomam banho de pipoca, comida do santo conforme o candomblé.
A festa popular dura quatros dias.

Janeiro ou Fevereiro

LAVAGEM DO IMBUÍ
Nesta época pré-carnavalesca os moradores do Bairro do Imbuí aproveitam para fazer um pré-carnaval.

FESTA DA PITUBA
Nesta época pré-carnavalesca os moradores da Pituba, bairro nobre de Salvador aproveitam para junto com baianas tipicamente vestidas fazerem a lavagem das escadarias da Igrejinha da Pituba.

02/02 - Festa de Iemanjá - Dois de fevereiro dia de festa no mar! Na praia do Rio Vermelho milhares de pessoas se aglomeram para deixar suas oferendas na Casa do Peso.
Perfumes, sabonetes, espelhos, flores e jóias são depositados em centenas de balaios elevados para alto-mar no final da tarde, em procissão marítima acompanhada por dezenas de embarcações. Cumprida a obrigação, a festa de largo se prolonga por alguns dias no bairro do Rio Vermelho.

13/06 - SANTO ANTÔNIO - No mês de Junho que se comemora a festa de Santo Antônio ''Santo Casamenteiro'', a esta festa antecedem rezas e orações.

24/06 - SÃO JOÃO - Para a maioria das pessoas do interior baiano, São João é a melhor festa de todas sendo comemorado com mesa farta, fogos de artifício, quadrilhas e muito forró.
Em Salvador com a proibição da famosa solta de balões que pontilhavam os céus dos baianos, criaram o Arraiá da Capitá e para lá todas as noites vão milhares de pessoas cantar e dançar ao som de forrozeiros e como não podia deixar de ser também ao som das Bandas de Axé.

29/06 - SÃO PEDRO - São Pedro, protetor das viúvas e dos pescadores, encerra o ciclo das festas juninas. No bairro de Itapuã, em Salvador, os pescadores fazem procissão marítima.

02/07 - INDEPENDÊNCIA DA BAHIA - Nesta data se comemora a verdadeira Independência do Brasil de fato e de direito.
Foi nesta data que as tropas baianas finalmente conseguiram a rendição das tropas portuguesas que ainda relutavam em aceitar a independência do Brasil.

16/08 - SÃO LÁZARO E SÃO ROQUE - Nesta data ocorrem os festejos de São Lázaro quando as pessoas vão até a igreja do santos banhar-se de pipocas para espantar os maus espíritos.

27/09 -SÃO COSME E SÃO DAMIÃO- Setembro é o mês dos carurus em homenagem a São Cosme e São Damião, dia 27 é o dia destes gêmeos muito venerados na Bahia.

Novembro - CAMINHADA AXÉ - Caminhada festiva que abre o verão, apresentando um resumo das manifestações culturais da Bahia.

04/12 - SANTA BÁRBARA - Esta é a festa da santa guerreira, rainha dos raios e dos trovões. Também é a padroeira dos mercados e patrona do Corpo de Bombeiros.
No Mercado de Santa Bárbara, que fica na Baixa dos Sapateiros os barraqueiros oferecem a todos um grande caruru que é preparado, em média, com cinco mil quiabos.

29/11 a 08/12 - FESTA DA CONCEIÇÃO DA PRAIA - O dia 8 de dezembro é dedicado à padroeira de Salvador, sendo feriado municipal.
A festa religiosa acontece na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa e é acompanha por uma festa de largo.

13/12 - FESTA DE SANTA LUZIA - Realizada na Igreja de Santa Luzia no bairro do Pilar onde acontece uma festa de largo também freqüentada por portuários.

Festa de Iemanjá

FESTA DO RIO VERMELHO - IEMANJÁ

O dia 2 de fevereiro é a data maior do bairro do Rio Vermelho.
As homenagens a Iemanjá atraem uma multidão de pessoas que pretendem levar suas oferendas para a Mãe das Águas, pedindo proteção, num ritual único e emocionante.
Flores e perfumes são os presentes preferidos do orixá que já recebeu, nas profundezas no mar de Salvador, presentes bem mais inusitados como um palácio azul e branco com dois metros de altura.
As oferendas são levadas para a casa do peso na Colônia de Pesca do Rio Vermelho onde serão distribuídas em diversos balaios colocados em barcos que partirão para o alto mar ao som de um espocar de fogos de artifício para, enfim, serem atirados ao mar.
Pelas ruas do Rio Vermelho, diversas barracas de bebidas e comidas se espalham nas calçadas. Várias casas realizam festas particulares com atrações musicais e Djs, dando um tom pop a essa festa tão tradicional que enche de branco e de fé as ruas do bairro.
No passado a festa experimentou a presença de trios elétricos que atraía um número maior de pessoas. Entretanto a experiência descaracterizava a essência pacífica da manifestação, gerando diversos episódios de violência.
Em 2008, pela primeira vez em mais de um século, a festa aconteceu em meio ao carnaval.



CURIOSIDADES
A tradição da festa em homenagem a Iemanjá teve início no ano de 1923, quando um grupo de 25 pescadores resolveu oferecer presentes para a mãe das águas.
Nesta época os peixes estavam escassos no mar. Todos os anos os pescadores pedem a Iemanjá que lhes dê fartura de peixes e um mar tranqüilo.
No início, a celebração era feita em conjunto com a Igreja Católica, numa demonstração do sincretismo religioso da Bahia.
Na década de 1960, um padre teria ofendido os pescadores, chamando-os de ignorantes por cultuarem uma sereia. O fato provocou um rompimento com a igreja e a partir daí os pescadores passaram a realizar a festa apenas em homenagem a Iemanjá.
Existe uma superstição sobre os presentes dados a Iemanjá que não afundam, indo parar na areia da praia. Segundo ela, Iemanjá não gostou do presente e o teria devolvido, causando grande frustração aos devotos. Em geral, presentes feitos com materiais leves ou ocos costumam não afundar.
Nem mesmo o presente principal, feito pelos pescadores, está livre deste infortúnio. Algumas vezes foi preciso amarrá-lo a algo pesado para que pudesse afundar.
Segundo a lenda, o cavalo marinho é o guardião da casa de Iemanjá, sendo ele o seu mensageiro mais rápido. É comum que imagens deste animal sejam oferecidas pelos devotos. Em 2007, o presente principal dos pescadores foi a imagem de um cavalo marinho adornado. Presente principal: Todos os anos um presente principal é preparado para ser oferecido à Iemanjá. Sob ele vão as oferendas preparadas pela ialorixá responsável pelo comando da festa.
Estas oferendas, cujos preparativos são cercados de rituais e fundamentos sagrados e secretos, demoram sete dias para ficar prontas.
Nas ruas do Rio Vermelho desfilam grupos de samba de roda e ijexá, capoeira, blocos afros, grupos fantasiados, fanfarras dentre outros.
Alguns destes grupos desfilam exclusivamente na Festa do Rio Vermelho, numa prova da devoção do povo baiano. A escultura de Iemanjá localizada em frente à Casa do Peso foi confeccionada por Manoel Bonfim em 1970.
Trata-se de uma escultura de uma sereia feita de gesso, assentada sobre pedestal de concreto revestido com apliques variados, conchas e pedras portuguesas. É de propriedade da Colônia de Pesca Z1. Existe atualmente uma preocupação por parte de ambientalistas alertando sobre os presentes jogados no mar que não se decompõem.
Muitos animais marinhos morrem ao ingerir esses presentes. Os pescadores que organizam o dois de fevereiro estão começando a se preocupar mais com o aspecto ecológico que envolve a festa.

A LENDA DE IEMANJÁ

Conta a tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás.
De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Iemanjá continuava muito bonita. Okerê propôs-lhe casamento.
Ela aceitou com a condição que ele jamais ridicularizasse a imensidão dos seus seios.
Um dia, Okerê voltou para casa bêbado. Tropeçou em Iemanjá, que lhe chamou de bêbado imprestável. Okerê então gritou: "Você, com esses peitos compridos e balançantes!" Ofendida, Iemanjá fugiu.
Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Iemanjá, vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade. Iemanjá tropeçou e esta quebrou-se, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum. Okerê tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina.
Iemanjá, vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que abriu-se em duas, dando passagem para Iemanjá, que foi para o mar, ao encontro de Olokum. Iemanjá usa roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar aonde chega o mar.
Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la. Iemanjá, Odô Ijá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra. Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ogun, que corre para o oceano.