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terça-feira, 20 de maio de 2008

Origem nomes das Ladeiras

Ladeira do Acupe - Brotas
É de origem tupi, que significa: no calor.

Ladeira dos Aflitos - Centro
Origina-se da presença naquele local da Capela do Senhor dos Aflitos, que ainda hoje pode ali ser vista já transformada em igreja.

Ladeira dos Barris - Barris
É o plural de barril. Através de uma ladeira estreita, chegava-se nas margens do Dique do Tororó, em busca de água para uso doméstico.
No local foram enterrados diversos barris, visando com isso melhorar a qualidade da água que era ali apanhada, evitando que se turvasse ou enchesse de sujeira.

Ladeira da Barroquinha - Centro
Compreende-se por barroca (escavação natural, barranco), a depressão feita no terreno por ação de água corrente e impetuosa.
O diminutivo que ainda hoje indica um dos acessos à Baixa dos Sapateiros - Barroquinha - foi incorporado ao cotidiano da cidade no início do século XVIII.
Como aconteceu outras vezes, sua origem foi encontrada no espírito simples do povo, que se referia às águas que, na estação chuvosa, ali mansamente faziam o seu trabalho de erosão, escavando o terreno quando escorriam das Hortas de São Bento.


Ladeira do Boqueirão - Santo Antônio
Denominação que ainda hoje indica a ladeira existente entre as ruas Direita de Santo Antônio e dos Adobes, tem sua origem na Irmandade de Nossa Senhora do Boqueirão, que existiu na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, com o nome de Irmandade de Homens Pardos. Desapareceram a irmandade e a capela, porém o batismo da trincheira ali existente origina-se a denominação que permanece em uso na atualidade.

Ladeira do Desterro - Nazaré
Recebe esse batismo devido a construção de um mosteiro religioso no sítio de Nossa Senhora do Desterro.

Ladeira da Fonte Nova - Nazaré
É batismo óbvio e origina-se da presença ali de um dos mais conhecidos pontos de abastecimento de água da cidade, quando a população ainda era atendida por fontes e chafarizes.

Ladeira do Funil - Barbalho
O traçado cônico ou afunilado desta via determina o seu batismo.

Ladeira dos Galés - Brotas
Datada de 1810, foi construída como ligação entre os bairros de Nazaré e Brotas, com a execução do primeiro aterro de parte do Dique do Tororó.
O acesso foi batizado com o nome de Galés, que significa trabalho forçado realizado por presos com correntes nos pés.

Ladeira da Misericórdia - Centro
Seu batismo oficial é Rua Padre Nóbrega, embora popularmente nunca tivesse sido conhecida por outro nome que não o de Ladeira da Misericórdia.


Ladeira da Montanha - Centro
Esse batismo resulta da presença de uma ladeira e de uma rua localizadas em uma montanha. Daí o seu nome de Ladeira da Montanha.



Ladeira dos Perdões - Santo Antônio
Esse batismo surge com a instalação de um recolhimento para as beatas da ordem franciscana da Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões.
Assim, apresenta uma semelhança com os demais batismos que tiveram sua origem na presença de estabelecimentos religiosos.

Ladeira da Preguiça - Centro
Depois das ladeiras da Misericórdia e da Conceição, esta foi construída para mais uma opção de acesso de mercadorias do porto para a cidade, mercadorias essas que eram transportadas em carretões puxados a bois e empurrados por escravos que alegavam ser este um trabalho muito pesado, e por isso dava preguiça.
Daí ficaria conhecida como Ladeira da Preguiça.









Ladeira do Pau da Bandeira - Centro
Este nome se originou de um mastro ali localizado, no qual eram hasteadas bandeiras para orientar a entrada de navios ao porto da cidade, desde os tempos de colônia.



Ladeira do Taboão - Centro
Quando do encerramento do Rio das Tripas, após a invasão holandesa, foram encontrados embaixo do quintal do Convento de São Francisco grossas vigas enterradas, o que levaria a supor que ali existiria uma ponte ou simplesmente um apanhado de tábuas postas sobre essas vigas. Esse lugar, por tal motivo, ficaria conhecido como Rua do Taboão.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Igreja Bom Jesus dos Aflitos

Situa-se a igreja no bordo da falha geológica de Salvador.
Sua fachada abre-se para uma pequena praça de onde se descortina belo panorama da Baía de Todos os Santos.
A área fronteiriça à igreja é vedada a edificação pelo art. 102 da Lei Municipal 2.403, de 23.08.72.
A Ladeira dos Aflitos, um dos acessos à igreja, conserva bons exemplares de arquitetura do século XIX, muitos dos quais azulejados.
A igreja primitiva foi alterada no século XIX e no atual.
Sua fachada, aparentemente inconcluída, exibe torre embrechada de louças policromadas.
No interior da nave existem três altares, sendo que os dois altares laterais e a arco cruzeiro são do entalhador Maximiniano de Oliveira Brandão, que trabalhou na igreja na primeira metade do século XIX. A pintura do teto da nave é atribuída a J. Joaquim da Rocha (1780). Púlpitos e tribunas apresentam grades de ferro do século passado, exceção feita às varandas da capela-mor que são de talha dourada. Dentro da imaginária, destacam-se: Santana Mestra, de Frei Agostinho da Piedade, feita para a capela do Unhão e atualmente no Museu de Arte Sacra da Bahia, N.S. das Dores, S. José, N. S. do Parto e N. S. da Soledade.
Sua planta, que se insere em um retângulo perfeito, é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, com corredores laterais e tribunas superpostas. Contudo, ela ainda não apresenta a sacristia transversal, e parece resultar da evolução natural do partido em "T" (vide Palma) adotado com freqüência no século XVII. Do mesmo tipo são as igrejas da Saúde, São Francisco de Paula, S. Bartolomeu de Pirajá.
A fachada primitiva foi interrompida na altura da cornija e está dividida por pilastras em três corpos: um central e dois laterais.
A torre, que parece datar do século XIX, é mais estreita que a marcação do corpo lateral da igreja e não consegue integrar-se à composição. O frontão não chegou a ser executado.
A talha do interior é neoclássica. A pintura do forro, um medalhão com moldura rococó, é atribuída a José Joaquim da Rocha.

Histórico arquitetônico:

A igreja foi construída pelo português Antônio Soares. A construção nasceu de um voto feito por seu fundador ao Senhor dos Aflitos e Boa Sentença quando a imagem era ainda venerada no nicho da Igreja das Mercês. Uma vez coberta a igreja, seu fundador transferiu a imagem e continuou as obras, por etapas, com ajuda de esmolas;
1748 - É inaugurada a igreja;
1824 - Sofre reforma, assinalada em placa existente na igreja;
1825 - Estabeleceu-se uma irmandade para cuidar do culto e da capela.

Fonte: Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.