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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Boa Viagem / Monte Serrat

O bairro da Boa Viagem surge no período colonial e tem a sua origem com a fundação da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem entre 1712 e 1714.
A área da Boa Viagem foi utilizada como lugar de desembarque de mercadorias no passado e, hoje, vem sendo procurada por oferecer a mais privilegiada vista das Cidades Alta e Baixa.
O conjunto formado pela Igreja e Hospício de Nossa Senhora da Boa Viagem é o ponto de chegada da Procissão Marítima do Bom Jesus dos Navegantes no dia 1º de janeiro.
A história do bairro do Monte Serrat inicia quando, segundo alguns historiadores, Tomé de Souza, o primeiro Governador Geral do Brasil, procura um lugar adequado para construir uma grande povoação e um forte, como havia lhe ordenado o rei de Portugal D. João III.
O Forte de Monte de Serrat, conhecido como Forte de São Felipe – denominação que perdurou até o início do século XIX – foi construído em 1583 para servir como base militar, defendendo, juntamente com o Forte de Santo Antônio, o acesso norte da cidade.
Monte Serrat é uma referência à imagem da virgem espanhola, trazida por um padre jesuíta que implantou a devoção a Nossa Senhora de Montserrat no local.

Depoimentos

Humaitá?

”Humaitá era um clube brega que tinha lá. Quando eu era rapaz, o lugar de dançar era no Humaitá. Humaitá, não é um nome antigo? Não, nós somos de duas épocas diferentes, minha filha. Então, começou-se a dar o nome Humaitá, que não tem nada com a história. A Igreja de Montserrat, de 1659 aquela feição, mas ela já vinha de antes.”

(Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br

Origem do nome Montserrat e origem da comunidade negra em Salvador

”Montserrat é em referência à virgem espanhola, trazida por um padre jesuíta espanhol que implantou lá a devoção a Nossa Senhora de Montserrat.
Africanos na Bahia, desde o primeiro momento que chegam escravos. Mas na verdade, nessa sala, eu não sei se tem muita gente aqui que se considere imunizado contra a anemia falciforme, acho que ninguém. Uns mais, uns menos; todo mundo aqui está meio pro lado de lá, meio pro lado de cá. A densidade negra na cidade de Salvador começa muito tarde porque ninguém tinha na cidade de Salvador quinze nem vinte escravos, não, tinha o mínimo bastante para o serviço doméstico. Onde era a mão de obra escrava reforçada era no Recôncavo, no negócio do açúcar. Com o colapso do açúcar, com a queda do açúcar, com a abolição da escravatura houve uma migração, os ricos empobrecidos vieram à busca de emprego público, foram ser tabeliães, foram ser coisas assim; os negros libertados vieram à busca de comida. Uma vez eu escrevi um artigo que quase que dá zoada forte, o título do artigo era enorme, “Quem deu o almoço do escravo no dia 14 de maio?”.

Você já parou para perguntar isso? Ele ficou com fome e veio buscar comida aqui.
Então, a densidade negra na cidade de Salvador não é da colônia, não; não é não; tinha sim, mas o bastante para pequenos serviços domésticos e acabou-se.
A migração em massa se passa quando se esvaziam os engenhos de açúcar. Aí sim, vem todo mundo para cá.”

(Cid Teixeira)

Vila Operária

A Vila operária da Boa Viagem, a primeira vila operária de Salvador, foi construída por Luiz Tarquínio para abrigar os funcionários de sua fábrica na península, a Empório Industrial do Norte.
O projeto da Vila foi inspirado nas “Tenement Houses”, condomínios operários britânicos.
Sua inauguração se deu no ano de 1892.
As casas possuíam luz elétrica, um artigo luxuoso na época, além de jardim com flores e calçadas constantemente lavadas com água e sabão.
Contava com uma praça arborizada, dois coretos, farmácia, armazém e biblioteca.
Para possuir uma casa na Vila, os operários pagavam um quarto do salário como aluguel. Após cinco anos, os funcionários que fossem tidos como eficientes passavam a ser proprietários dos imóveis, recebendo a escritura da casa.
Os filhos dos operários tinham o direito à educação, desde o jardim da infância.
A filha de Luiz Tarquínio estudava também na Vila, junto com os filhos dos funcionários para provar que o ensino era de qualidade.
O método de ensino adotado era o americano e além das matérias formais, as crianças tinham aulas de artes.
Havia também cursos noturnos para adultos, creche, assistência médica e dentária.
A intenção de Luiz Tarquínio era fazer dessa vila a melhor Vila Operária do país.
Indo de encontro ao pensamento vigente na época, que ainda adotava o trabalho escravo, Luiz Tarquínio defendia que o trabalho produtivo dependia de boas condições de vida para os funcionários.
Após a falência da Fábrica na década de oitenta, as escrituras das casas foram repassadas pelo Governo do Estado aos antigos moradores ex-operários e seus descendentes.
Atualmente os traçados originais das casas foram modificados pelos sucessivos moradores, desde a estrutura interna até as fachadas dos prédios.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Igreja Nsa.Sra.da Boa Viagem

A Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, construída no estilo barroco português, está localizada no Largo da Boa Viagem e foi construída por volta de 1712, conforme dados do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
A origem da igreja tem informações imprecisas.
Segundo o historiador Cid Teixeira, as terras ao redor teriam sido doadas pelo primeiro governador a Garcia D’ Ávila, almoxarife das obras da cidade, e permutadas com os monges de São Bento. A igreja teria surgido na metade do século XVIII, construída pelos frades franciscanos “para tomar o lugar de capela doada por um certo Lourenço Maria”. Mas conforme relata a arquidiocese de Salvador, “Em 19 de novembro de 1710, Dª. Lourença Maria, proprietária das terras de Itapagipe de baixo e que tinha como filha Ana Pereira de Negreiros, doou a escritura, aos Franciscanos da Bahia, uma grande área de terra.
Como recompensa pela doação, Dª. Lourença Maria exigiu da Ordem Franciscana a celebração de cinco missas anuais, sendo três para si e duas para sua filha Ana Pereira de Negreiros”.
Sua fachada voltada para o mar, apresenta uma única torre e é revestida de azulejos pérola nacarados, de origem portuguesa.
Destacam-se os pilares em pedra e, em seu frontispício, um painel em azulejos azuis trabalhados com as Armas do Reino.
A descrição feita por Paulo Ormido D. de Azevedo, historiador, relata que a igreja foi originalmente feita de uma única nave com corredores laterais e tribunas superpostas.
No início do século XX, foi transformada em igreja de três naves com a manutenção das tribunas. O altar-mor e altares colaterais situados no ângulo do arco cruzeiro com a nave são barrocos, estilo D. João VI.
A reforma sofrida pelo templo sacrificou parte da nave e dos azulejos que decoravam as paredes restaram dois painéis junto à porta principal que narram sucessos trágico-marítmos atribuídos a milagres de Nossa Senhora da Boa Viagem.


A igreja possui também uma única torre, situada ao seu lado esquerdo e revestida de azulejos portugueses de cores azul e marfim, com quatro sinos, sendo o mais antigo deles datado de 1810 (século XIX).
Uma grande porta de jacarandá dá acesso ao seu interior.
O piso é de mármore cinza. No Altar-Mor, todo em talha dourada à folha de ouro, destacam-se na parte superior a singular imagem de Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes e, abaixo desta, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem. Já foram acolhidas na igreja, em altares menores, as imagens de Nossa Senhora das Necessidades e a de São Gonçalo.
Hoje, a igreja preserva quatro imagens barrocas, de N. S. da Boa Viagem, Bom Jesus dos Navegantes, N. S. da Natividade e São Sebastião.
A paróquia da Boa Viagem também conta com uma devoção fundada em 1892. No dia primeiro de janeiro celebra-se na Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem a festa de Bom Jesus dos Navegantes, com procissão marítima e entrega de presentes pelos pescadores na Galeota do Senhor dos Navegantes.